Sé é uma freguesia urbana da cidade e concelho de Angra do Heroísmo, com 1,84 km² de área e 955 habitantes (2011), o que corresponde a uma densidade populacional de 519 hab/km². A freguesia foi a primeira das paróquias citadinas de Angra a ser estruturada, correspondendo inicialmente a um vasto território que se estendia desde a Cruz das Cinco até à Atalaia e ao centro da ilha. Com a progressiva criação das actuais cinco freguesias urbanas da cidade de Angra, perdeu toda a sua parte rural e ficou reduzida a um pequeno território na parte central da cidade, constituindo o seu centro histórico, a que se junta a península do Monte Brasil. Todo o seu território integra os limites legais da cidade, estando totalmente incluído na zona classificada como conjunto de interesse público da cidade de Angra do Heroísmo e na zona classificada como Património da Humanidade pela UNESCO. O topónimo Sé teve origem na Sé Catedral de Angra, edificada no centro da freguesia.

 

Situada na parte central da costa sul da ilha Terceira, na parte mais reentrante da baía de Angra (origem do topónimo da cidade), a freguesia da Sé de Angra, juntamente com as outras quatro freguesias urbanas (São Pedro, Santa Luzia, Conceição e São Bento), constitui a cidade de Angra do Heroísmo, sede de concelho e uma das co-capitais da Região Autónoma dos Açores. A paróquia católica que esteve na origem da freguesia tem por orago a invocação de São Salvador do Mundo (Salvator Mundi), designação da sé episcopal da Diocese de Angra, cujas festividades se realizam anualmente no mês de Junho. A freguesia da Sé ocupa um pequeno território delimitado a sul pela linha de costa, entre o Cais da Alfândega e o Fanal, a leste pelo traçado da Ribeira dos Moinhos, a norte pela Rua do Marquês e pela Rua do Rego e a oeste pelo arruamento que liga o Alto das Covas ao Castelo de São João Baptista do Monte Brasil e depois, para oeste, pelo paramento exterior das muralhas do Castelo até ao ponto em que estas atingem a linha de costa na baía do Fanal. Neste território fica totalmente incluída a península do Monte Brasil. Confronta a norte com a freguesia de Santa Luzia de Angra, a leste com a Conceição, a sul com o mar e a oeste com São Pedro de Angra. O território tem forma irregular, com cerca de 1,46 km de largura máxima na direcção este-oeste e 2,20 km de comprimento máximo na direcção sudoeste-nordeste (incluindo a península do Monte Brasil). A área de 1,84 km² é maioritariamente constituída pelo Monte Brasil e Relvão (designação dada à parte do istmo do Monte Brasil adjacente ao Castelo de São João Baptista que foi mantida desimpedida de construções e árvores como zona de protecção imediata da fortaleza), que ocupa 1,55 km², enquanto que a área citadina propriamente dita ocupa apenas 0,29 km². Se for considerada apenas a área urbana, excluindo assim os aquartelamentos da fortaleza, a densidade populacional específica da zona urbana é de 3293,1 hab/km².

História

Até ao séc. XIX freguesia e paróquia são conceitos equivalentes e por isso é necessário falar da freguesia ou paróquia da Sé, que evidentemente só teve esta designação a partir da constituição da Diocese de Angra, em 1534. Até esta data existia a paróquia ou freguesia de S. Salvador de Angra, constituída possivelmente em 1486, com a nomeação do seu vigário Frei Luis Enes. A acreditar nos cronistas esta paróquia exercia o seu munus em metade da ilha e a vila de Angra, onde ela existia, era já então a residência de toda a jurisdição da Terceira.

O progresso da organização eclesiástica da ilha estabeleceu os limites da paróquia de S. Salvador, que nos alvares do séc. XVI tinha o seu termo a poente, na fronteira de S. Mateus e a nascente na da Ribeirinha e para o interior ia até ao mato do centro da ilha, abrangendo como lugares povoados a Terra Chã e o Posto Santo.

Em 1534, criou-se a Diocese de Angra, pelo Papa Paulo III e D. João III elevou a vila de Angra a cidade, transformando-se então a igreja de S. Salvador em catedral. Angra passou a ser a mais importante povoação dos Açores, enobrecida pelas dignidades eclesiásticas, pelos cargos do poder régio delegado, o Corregedor e o Provedor da Fazenda, pela Alfândega e pelo seu Senado da Câmara, pelos conventos, o de S. Francisco e o de S. Gonçalo, pela Misericórdia e seu hospital e sobretudo pelo porto, o melhor das ilhas e o mais frequentado e paragem obrigatória do tráfego do Oriente e do Brasil. Para o apoiar criou, cerca de 1527, D. João III, o provedor das armadas.

Tal progresso e tal desenvolvimento levaram á necessidade de dividir a cidade em duas paróquias, tendo-se então criado em 1553, numa ermida já existente, a de Nossa Senhora da Conceição, estabelecendo-se, como limite entre ambas as freguesias a ribeira que corria do alto do castelo dos moinhos até ao porto. É possivelmente nesta época que a paróquia de S. Salvador passou a designar-se por paróquia da Sé.

Cerca de vinte anos depois, o bispo D. Gaspar de Faria, criou a paroquia de S. Pedro, no lado poenta da cidade, em 1572, dando-lhe como limite da da Sé o “tanque grande das Covas”. Lá para o fim do século XVI, passados os dias terríveis da guerra entre os partidários de D. Antonio Prior do Carto e de Filipe II, invocando o crescimento de paroquianos, com os soldados do Castelo, entretanto construído, o bispo D. Manuel de Gouveia, em 1595, criava a última das freguesias citadinas, a de Santa Luzia, dando-lhe como limites que a separavam da Sé, a rua do Rego até às casas de Jorge de Lemos de Bettencourt (o actual Solar da Madre de Deus) para poente e as casas do Almoxarife, para nascente.

Estavam assim, em definitivo, estabelecidas as limitações da freguesia da Sé, como ainda hoje a conhecemos e o seu território transformado numa zona exclusivamente urbana e sem dúvida o coração da cidade. Território mais pequeno do que qualquer outra das freguesias vizinhas, mas mais intensamente povoado e onde continuavam estabelecidos os mais imponentes e mais destacados edifícios citadinos. Entre os fregueses contavam-se as mais destacadas personalidades e bem se pode afirmar que a alma de Angra era a freguesia da Sé e neste espaço se desenrolavam sempre os actos e as acções que marcaram a história dos açorianos e sobejas vezes a dos portugueses.

A vitória do Liberalismo, na qual tanto se empenharam os angrenses, trouxe a partir de meados do século XIX profundas e radicais alterações à sociedade portuguesa. Para já passou a haver uma administração pública e uma organização civil de território, com os códigos administrativos. Ainda na fase de ensaios, sob a égide da Regência de D. Pedro, um decreto de 25 de Novembro de 1830 iniciava as reformas pela criação das Juntas de Paróquia entre elas a Junta da Paróquia da Sé, com latas atribuições administrativas entregues aos cidadãos. Tal decreto é uma espécie de atestado de nascimento das futuras Juntas de Freguesia, ainda que este auspicioso começo tenha sido abandonado nas sucessivas reformas, até ao código Administrativo de 1878, o mais democrático e mais descentralizador de todos os códigos de Monarquia Constitucional. Por ele as freguesias entraram em definitivo na pirâmide de Administração Pública, não voltando a desaparecer da hierarquia administrativa do território. Seguiram, é verdade, os vários figurinos políticos, sendo ora eleitos, ora designados pelo poder político, mas sempre actuantes na administração.

É pena que pouco se conheça da história particular das Juntas de Freguesia dos Açores e neste caso da Junta de Freguesia da Sé, da sua actuação administrativa e até os nomes dos cidadãos angrenses que ao longo de mais de um século contribuíram para prestigiar a freguesia, a cidade e os Açores.

Geomorfologia e geologia

Apesar da sua pequena extensão, o território da freguesia da Sé apresenta uma geomorfologia complexa, reflexo da sua inserção na base do istmo do Monte Brasil, abrangendo a parte mais significativa da costa das duas baías que o ladeiam (a baía de Angra a leste e a baía do Fanal a oeste). A esta estrutura acresce o próprio istmo, repartido entre as freguesias da Sé e de São Pedro, e o vulcão do Monte Brasil, com a sua complexa estrutura eruptiva e com uma geologia ímpar entre os cones costeiros açorianos.

Do ponto de vista geomorfológico e geológico, o território da Sé apresenta três zonas distintas:

Demografia e estrutura urbana

A partir de 1864, ano em que se realizou o primeiro recenseamento pelos modernos critérios demográficos, a evolução da população da freguesia da Sé de Angra a foi a seguinte:

A evolução demográfica da freguesia da Sé, pese embora os efeitos da grande vaga de emigração para a América do Norte que marcou a demografia da ilha, é dominada pela crescente urbanização da população terceirense, que a partir da década de 1920 se concentrou em torno de Angra do Heroísmo, efeito que mesmo assim não compensou totalmente as perdas por emigração a partir de 1960, mas permitiu a uma relativa estabilidade da população das freguesias urbanas. Contudo, a partir do terramoto de 1 de Janeiro de 1980, que destruiu a maior parte do efectivo habitacional mais antigo, há uma rápida perda de população, que 2600 residentes em 1970 para apenas 1198 em 1981 (uma perda de 54% no número de residentes), resultado da concentração da população nas novas urbanizações (os bairros) que foram construídos na periferia urbana, por isso fora dos limites da freguesia da Sé. Nas últimas três décadas continuou o declínio demográfico, reflexo da migração das famílias mais jovens para da zona histórica para a periferia da cidade de Angra do Heroísmo, que afecta de forma intensa a zona mais antigas da cidade. Nos resultados do censo de 2011 é bem patente o envelhecimento da população e o crescente abandono do parque habitacional do Centro Histórico de Angra do Heroísmo, levantando sérias dúvidas quanto à sustentabilidade futura daquela zona urbana.

Heráldica

Hino

I
Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar!
Contra os canhões
marchar, marchar!

 

II
Desfralda a invicta bandeira
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu!
Beija o solo teu jucundo
O oceano, a rugir d’amor,
E o teu braço vencedor
Deu novos mundos ao Mundo!

Às armas, às armas!
Sobre a terra e sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar!
Contra os canhões
marchar, marchar!

III
Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal de ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.

Às armas, às armas!
Sobre a terra e sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar!
Contra os canhões
marchar, marchar!

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